Governadores lançam Consórcio Brasil Verde na conferência do clima

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Os chefes de Executivo que compõem o movimento Governadores pelo Clima lançaram, na manhã desta quinta-feira (4), em Glasgow, na Escócia, o Consórcio Brasil Verde.

Parte da programação da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), o lançamento contou com a participação dos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB); do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), presidente do consórcio, e do Mato Grosso, Mauro Mendes (Democratas). A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), participou virtualmente.

Governadores preenchem ausência de Bolsonaro

Novamente, a ausência de políticas ambientais por parte do governo federal e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foi citada como uma motivação para que mais de 10 governadores tenham comparecido à COP26.

“Temos de olhar o lado positivo, sem evidentemente deixarmos de ver os problemas e lidarmos com eles. Há algo de positivo na ausência do governo federal: gera essa necessidade de nos mobilizarmos, os governos subnacionais e a própria sociedade. A União é feita pela soma das partes, e se não há, por parte da União, uma dedicação ao tema, então as partes se juntam de outras formas”, disse Leite.

“A partir da formalização desse consórcio, teremos mais respaldo do ponto de vista técnico para que possamos financiar as ações que se fizerem necessárias e prioritárias dentro dessa política de enfrentamento às mudanças climáticas”, acrescentou Leite.

Consórcio já tem 22 governadores

Até o momento, 22 governadores aderiram ao consórcio, e a expectativa é de que todos os 27 venham a participar. O consórcio foi criado em 2019, no âmbito do Fórum de Governadores. A partir do lançamento, a prioridade é que os Estados elaborem planos de neutralidade de carbono, com apoio de entidades.

Leite e os governadores Casagrande (à esq.) e Mendes (à dir.) com Jonathan Pershing, secretário adjunto pelo clima dos EUA Foto: Maurício Tonetto / Palácio Piratini

Em 25 de outubro deste ano, o Rio Grande do Sul assumiu o compromisso de trabalhar para neutralizar as emissões de carbono do Estado em 50% até 2030 e agir para neutralizar as emissões até 2050.

O compromisso está em sintonia com o que o Brasil assumiu no âmbito do Acordo de Paris e tem como objetivo mobilizar entes nacionais e subnacionais, empresas e instituições, no sentido de minimizar os efeitos das emissões sobre o clima global.

Leite se encontra com autoridade americana

Após o evento, Leite, Casagrande e Mendes se reuniram com o secretário adjunto especial pelo Clima dos Estados Unidos, Jonathan Pershing. O secretário se colocou à disposição para ouvir as preocupações dos governadores com relação ao assunto.

Pershing reforçou o interesse dos EUA em contribuir e ajudar os Estados, devido à relutância do governo federal em cooperar no avanço da questão. O secretário e os governadores conversaram sobre formas para que essa cooperação possa ocorrer.

Leite lembrou, inclusive, que o RS e a embaixada dos Estados Unidos no Brasil assinaram, em junho deste ano, um memorando de entendimento para cooperação para que esse tipo de interação seja facilitada.

Painel aborda carvão no Brasil e no mundo

No Brazil Climate Action Hub, espaço dedicado às iniciativas da sociedade brasileira na COP26, o governador gaúcho  participou do painel “O carvão e os desafios da transição justa no Sul do Brasil”, ao lado de Nicole Oliveira (Instituto Internacional Arayara e Observatório do Carvão Mineral), de Lucie Pinson (Reclaim Finance), de Roberto Kishinami (Instituto Clima e Sociedade) e de Ricardo Baitelo (Instituto de Energia e Meio Ambiente – Iema).

O painel trouxe um panorama da geração elétrica a carvão no Brasil e no mundo, analisando dois casos: a atuação da Engie no Brasil e o fechamento do polo carboquímico e da Mina Guaíba, a maior mina de carvão a céu aberto da América Latina. Foi apresentada também a perspectiva da política pública estadual sobre os desafios e oportunidades da transição justa.

Dependência do carvão

O Brasil depende pouco do carvão – apenas 2% da produção energética é fruto do carvão. No RS, essa dependência é maior, de 15%, mas ainda bem menor do que a dependência de países da Europa, que beira os 40%.  Além disso, 80% da energia gerada no RS vem de fontes renováveis.

“Para quem é afetado, é 100%. Temos a questão ambiental, mas temos também a econômica: se não houver oferta de oportunidades, não adianta fazermos apenas campanha de malefícios. Há comunidades inteiras que dependem dessa produção”, destacou o governador.

Equipes do governo estão trabalhando para viabilizar a redução do funcionamento de usinas de energia movidas a carvão, com oferta de alternativas econômicas.

“É ainda uma trajetória incipiente, mas temos vontade de promovermos a sustentação para uma política que vai atravessar governos”, disse o tucano, lembrando que o RS estuda a possibilidade de geração de hidrogênio verde.

(Com informações do governo do RS)

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